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O que diferencia o mercado de games da América Latina do resto do mundo

Resumo rápido:

A América Latina cresce 6,4% ao ano em receita de games, acima da América do Norte e da Europa. Mas o diferencial da região vai além do ritmo: um público majoritariamente jovem, com forte participação feminina e presença crescente nas demais plataformas, equilíbrio entre mobile, console e PC, ecossistema de desenvolvimento local em expansão e um consumidor com comportamento próprio fazem da LATAM um mercado com dinâmica distinta dos mercados maduros.

Crescimento acima da média global

Segundo a Newzoo Global Games Market Report 2025, a receita de games na América Latina cresce 6,4% ao ano, ritmo superior ao da América do Norte (+4,2%) e da Europa (+3,6%), e acima da média global de 3,4%. A projeção para 2028 aponta uma receita de US$ 9,7 bilhões na região, com CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 5,5%.

Esses números indicam que a LATAM não é apenas um mercado em expansão: ela avança em velocidade superior à dos mercados mais consolidados. Para empresas que acompanham tendências de crescimento para definir onde investir, a região se destaca como uma das mais dinâmicas do cenário global.

Equilíbrio entre plataformas

Diferentemente de outras regiões, onde uma única plataforma concentra a maior parte da receita, a América Latina apresenta uma distribuição mais equilibrada entre mobile, console e PC. O mobile lidera em volume de jogadores e receita (US$ 4,4 bilhões, +7,8% ao ano), mas console e PC avançam com força, cada um movimentando cerca de US$ 2,0 bilhões.

Esse equilíbrio amplia as possibilidades de entrada e posicionamento na região. Publishers e desenvolvedores que atuam em múltiplas plataformas encontram na LATAM um mercado onde todas elas têm relevância comercial, cada uma com dinâmicas de público e monetização próprias.

A tabela abaixo compara o crescimento da América Latina com outras regiões e a distribuição entre plataformas.

Indicador América Latina América do Norte Europa
Crescimento anual de receita +6,4% +4,2% +3,6%
Receita mobile (2025) US$ 4,4 bi US$ 24,5 bi US$ 11,3 bi
Receita console (2025) US$ 2,0 bi US$ 18,4 bi US$ 14,2 bi
Receita PC (2025) US$ 2,0 bi US$ 9,8 bi US$ 7,6 bi
Jogadores na região 372,3 milhões 223,6 milhões 447,2 milhões

Fonte: Newzoo Global Games Market Report 2025

Público jovem e feminino como diferencial

Um dos traços mais marcantes do mercado latino-americano é o perfil demográfico de seus jogadores. Segundo a PGB Latam 2026, a Geração Z representa 47,5% dos jogadores na região, a maior fatia entre todas as gerações. No Brasil, a Pesquisa Game Brasil 2026 (PGB) mostra que a Gen Z já é maioria (36,5%), superando pela primeira vez os Millennials (33,7%).

Outro dado relevante é a participação feminina. No Brasil, mulheres representam 52,8% da base total de jogadores, mas essa maioria é impulsionada principalmente pelo mobile, onde elas são 66,3% do público. No console e no PC, o cenário se inverte: homens seguem como maioria, com 59,1% no console e 64,6% no PC. Ainda assim, a presença feminina nessas plataformas é significativa e crescente (40,9% no console e 35,4% no PC). Essa composição de público jovem, com participação feminina forte no mobile e em expansão nas demais plataformas, cria um perfil de consumidor distinto do que se observa nos mercados europeu e norte-americano, e exige abordagens específicas de produto, comunicação e monetização.

Base mobile ampla e em diversificação

O Android é a plataforma dominante na América Latina, com 238,2 milhões de jogadores, enquanto o iOS reúne 59,6 milhões. A concorrência entre fabricantes amplia o acesso ao mobile em faixas de renda mais baixas, expandindo a base de jogadores na região.

No console, o PlayStation alcança 53 milhões de jogadores na LATAM. No PC, a Epic Games Store registrou o maior CAGR da região entre 2022 e 2025 (13,7%), seguida pela Steam (10,6%). Esses dados mostram que o ecossistema de distribuição está se diversificando rapidamente, criando novos pontos de contato com o consumidor.

Desenvolvimento local em expansão

A América Latina não é apenas um mercado consumidor. O ecossistema de desenvolvimento de jogos na região, especialmente no Brasil, tem crescido de forma expressiva. Segundo a 2ª Pesquisa Nacional da Indústria de Games, realizada pela Abragames em parceria com a ApexBrasil, o Brasil passou de 133 estúdios de desenvolvimento em 2014 para 1.042 em 2023, um aumento de quase oito vezes em menos de uma década.

Esse crescimento reflete a profissionalização do setor e a ampliação da capacidade produtiva local. Para empresas internacionais, isso representa tanto um mercado de consumo quanto um polo de talentos e potenciais parceiros de desenvolvimento.

IA generativa no radar do consumidor

A Pesquisa Game Brasil 2026 incluiu pela primeira vez um bloco dedicado à percepção dos jogadores sobre inteligência artificial generativa em games. Os resultados mostram um público que não rejeita a tecnologia, mas exige condições claras para aceitá-la.

Entre os jogadores, 45,7% apontam a precarização do trabalho criativo como principal preocupação em relação ao uso de IA, seguida por questões de direitos autorais (39,6%) e perda de qualidade dos jogos (38,4%). Ao mesmo tempo, 39,3% afirmam que comprariam um jogo produzido com IA, e outros 40,9% dizem que talvez comprassem, desde que houvesse transparência sobre o uso da tecnologia.

Para marcas de tecnologia e publishers que consideram integrar IA em seus processos, esses dados indicam que o consumidor latino-americano está aberto à inovação, mas espera responsabilidade e clareza sobre como ela é aplicada.

Um mercado com identidade própria

A América Latina não é uma versão menor dos mercados maduros. É uma região com características específicas: crescimento acima da média, público jovem e diverso, equilíbrio entre plataformas, setor produtivo em expansão e um consumidor com expectativas próprias. Tratar a região como extensão de campanhas globais é perder o que ela tem de mais estratégico.

A gamescom latam é o espaço onde essas particularidades ganham visibilidade. Com acesso a dados regionais, profissionais de toda a cadeia e uma plataforma dedicada de negócios B2B, o evento conecta empresas globais a um mercado que exige compreensão antes de oferecer retorno.

Perguntas frequentes

Por que a América Latina cresce mais rápido que outros mercados de games?

Porque a região combina uma base de jogadores em expansão ativa (372,3 milhões, +4,5% ao ano) com espaço para crescimento em monetização. O gasto médio por pagador (US$ 48,5/ano) ainda é inferior ao de mercados maduros, o que indica potencial de crescimento em receita conforme o poder de compra e a diversificação de plataformas avançam.

Por que o perfil do consumidor na LATAM é diferente do europeu ou norte-americano?

Porque a região tem um público majoritariamente jovem (Gen Z é 47,5% na LATAM) e feminino (52,8% no Brasil), com forte presença no mobile e comportamento de compra mais estratégico. Essa combinação cria dinâmicas de consumo e engajamento que não se replicam automaticamente de outros mercados.

Por que o equilíbrio entre plataformas na LATAM é relevante para empresas?

Porque, diferentemente de regiões onde uma plataforma domina, a LATAM distribui receita de forma mais proporcional entre mobile, console e PC. Isso amplia as possibilidades de entrada e exige estratégias de plataforma mais diversificadas.

Por que o crescimento do setor de desenvolvimento brasileiro importa para o mercado global?

Porque o Brasil passou de 133 para mais de 1.000 estúdios em menos de uma década, indicando um ecossistema cada vez mais produtivo e profissionalizado. Para empresas internacionais, isso representa não apenas um mercado consumidor, mas também um polo de talentos e potenciais parceiros de coprodução.

Por que a percepção dos jogadores sobre IA generativa é um dado relevante para a indústria?

Porque mostra que o consumidor latino-americano não rejeita a tecnologia, mas exige transparência e respeito ao trabalho criativo. Com 39,3% dispostos a comprar jogos feitos com IA e outros 40,9% abertos sob condições, há espaço para inovação, desde que acompanhada de responsabilidade.

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A América Latina reúne 372,3 milhões de jogadores e 170,9 milhões de jogadores, com receita de US$8,3 bilhões e projeção de US$9,7 bilhões até 2028. O mobile lidera com US$4,4 bilhões, mas console e PC avançam com força. No Brasil, 75,3% da população consome jogos digitais, a Geração Z é maioria e as mulheres representam 52,8% do público. Conhecer esse perfil é o primeiro passo para atuar na região, e a gamescom latam é onde esses dados e conexões se encontram.

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